O preço da liderança: quando o sucesso adoece a vida íntima

Há um pacto silencioso no mundo corporativo: você sobe, e em troca aprende a não fraquejar. Diante da equipe, diante do conselho, diante dos resultados. A máscara vai sendo ajustada com tanta precisão que, a certa altura, você mesmo esquece que está usando uma.
O problema não é a máscara. É que ela não tem hora para sair.
O líder que não pode fraquejar diante da organização termina por não poder fraquejar diante de si mesmo nem diante de quem ama. A contenção que protege no trabalho invade o jantar, o quarto, as conversas que deveriam ser as mais livres. E um dia alguém próximo diz “você não está presente” e você não sabe o que responder, porque tecnicamente você está lá.
O sucesso, nesse ponto, já cobrou seu preço. Só que a conta não chegou no escritório. Chegou em casa.
A análise não é o espaço onde você se torna menos competente ou menos capaz. É o único espaço onde a máscara pode ser retirada sem consequências institucionais. Onde o que você sente importa tanto quanto o que você entrega.
Não porque sentir seja mais importante do que entregar. Mas porque quem não consegue mais distinguir os dois está, silenciosamente, a caminho do esgotamento ou do vazio que vem depois dele.
Você não precisa escolher entre liderar bem e viver bem. Mas precisa, em algum momento, perguntar o que o sucesso está custando. E ter um lugar seguro para ouvir a resposta.

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